Pra ler e Pensar


Não sei quantas almas tenho

Olá a todos. Vou ficar devendo o autor (sei que é indelicado) mas este detalhe não vai impedir que vcs tenham prazer ao ler este poema.


"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.



 Escrito por Nehemias às 18h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




Tempestade

Havia um belo pássaro que vivia em uma linda e ensolarada floresta. Passava seus dias a se deliciar com o calor e a luminosidade e assim emitia seus gorjeios afinados e calmos.

Um dia, no entanto, uma enorme tempestade se aproxima daquela floresta. O pássaro, assustado, contemplou as densas e negras nuvens, o som estarrecedor dos trovões e o brilho ofuscante dos raios. Ainda que temendo, aproximou-se e foi bafejado pelo forte e refrescante vento da chuva. Fascinado, ignorou o perigo e deixou-se ser tomado no redemoinho que o fez rodopiar sem direção.

A custo recobrou a força e dividido entre o prazer e o medo bateu em retirada para um lugar seguro, distante da tempestade. Deste momento em diante passou a proteger-se em demasia. Entrava cada vez mais no interior da floresta, para longe das bordas onde a tempestade poderia alcançá-lo de novo.

A rotina dos dias ensolarados voltou a estabelecer-se. A paz e a quietude retomaram seu lugar. No entanto, algo havia mudado no pássaro. Os dias brilhantes pareceram desfigurados, seus olhos ansiavam pela cor cinza e misteriosa da tempestade, mas algo havia ficado claro naquele dia: a tempestade não poderia ser controlada, domada ou reduzida a algo possível, ela era avassaladora e assim como foi divertido, poderia ser perigoso.

Tempos se passaram sem que nada mudasse no ambiente ao redor. Então o pássaro usou o seu canto para invocar a tempestade, para despertá-la e atraí-la. Subitamente o ar mudou, as árvores agitaram-se o vento forte e frio voltou a soprar e com o coração aos pulos, o pássaro foi em direção a ela ...

 

Dê você mesmo o final para esta história!



 Escrito por Nehemias às 18h30 [   ] [ envie esta mensagem ]


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